Série especial: Investimento Institucional em Bitcoin

Parte 1: Bitcoin e a onda institucional

Este é o primeiro de uma série de 5 artigos sobre o desenvolvimento e as minúcias do investimento institucional em Bitcoin. Neste primeiro artigo, apresentamos uma visão geral do estado atual deste nicho de mercado.


Antecedentes

Desde o seu início, há 12 anos, o Bitcoin chamou a atenção de diferentes grupos à medida que amadurecia. Durante seus primeiros anos de desenvolvimento, o Bitcoin foi uma espécie de bastião para criptógrafos, cientistas da computação e libertários que estavam interessados ​​no avanço tecnológico trazido por Satoshi Nakamoto.

Em seguida, atraídos pela volatilidade e retornos descomunais do Bitcoin, entraram em cena os especuladores do varejo, que passaram a dominar o mercado. Embora o comércio de varejo de Bitcoin ainda predomine, dados do Google Trends sugerem que ele pode ter atingido seu pico durante o bull market de 2017. Atualmente, são os grandes fluxos institucionais que disputam esse controle do mercado, com investimentos consideráveis ​​em produtos inovadores.

Ironicamente, foi durante o frenesi do varejo que surgiu, entre muitos desses mesmos bancos e instituições financeiras que hoje figuram no mercado crypto, a narrativa "blockchain, not Bitcoin". Sem considerar o Bitcoin como uma classe de ativos, eles estavam ansiosos para olhar para a disruptiva tecnologia subjacente do Bitcoin, o blockchain, como o próximo tema de investimento ou uma maneira de melhorar seus negócios - e por isso a conversa sobre “contratos inteligentes” gerou um buzz.

Poderíamos escrever um artigo inteiro sobre por que a maioria dessas iniciativas de "Enterprise Blockchain" ainda não cumpriu suas promessas, mas nesta série vamos nos concentrar em por que o Bitcoin, agora um ativo de um trilhão de dólares, está sendo considerado como investimento por investidores institucionais, como empresas de capital aberto, bancos, family offices, gestoras e seguradoras.


Empresas de capital aberto se rendem ao Bitcoin

No momento em que este artigo foi escrito, de acordo com o site de dados do mercado crypto CoinGecko, 21 empresas públicas (globalmente) possuíam Bitcoin em seus balanços, totalizando mais de US$ 10 bilhões (veja o gráfico abaixo). Do suprimento total de Bitcoin disponível, essas instituições acumularam apenas 0,95%, correspondendo a ~178,5 mil bitcoins. Entre essas empresas, temos nomes como Tesla, MicroStrategy, Galaxy Digital Holdings e Square. A OSL recentemente fez parceria com a Meitu (HKSE 1357), adicionando um pouco de sabor asiático à essa mistura, e ajudou a empresa de tecnologia chinesa a aumentar suas participações para US$ 100 milhões em ativos digitais, dentre $BTC e $ETH.

É importante ressaltar que foi somente em agosto de 2020 que as empresas listadas em bolsa começaram a despejar quantias consideráveis ​​de dinheiro no mercado de Bitcoin. A MicroStrategy e seu CEO Michael Saylor lideraram este movimento, seguidos por Elon Musk (Tesla) e Jack Dorsey (Twitter/Square), ao fazer investimentos corporativos no ativo digital. Os investimentos recentes da Meitu sugerem que esta não é uma tendência reservada ao sul da Califórnia e pode, de fato, ser o início da entrada de mais empresas asiáticas no mercado.

De acordo com o Banco Mundial, em 2018, havia 43.342 empresas públicas no mundo. O que aconteceria com o preço do Bitcoin se apenas 1% delas comprasse o ativo?

 

O crescimento do mercado de futuros

No final de 2017, quando o preço do Bitcoin quase chegou a US$ 20.000 por unidade, havia muita expectativa sobre a estreia dos contratos de futuros de Bitcoin na Chicago Mercantile Exchange (CME). Aqueles que estavam no mercado naquela época vão lembrar que muitos analistas sugeriram que esse produto finalmente permitiria às instituições obter exposição ao Bitcoin. Na verdade, levou alguns anos para que os futuros do Bitcoin aumentassem de volume.

Foi apenas em novembro de 2020, e especialmente em 2021, que pudemos ver um crescimento considerável nos volumes de contratos futuros do Bitcoin - impulsionados por hedge funds e players institucionais.

 

 

E agora em 2021, a CME decidiu adicionar contratos futuros de Ether ($ETH) em seu portfólio de produtos, à medida que este segmento continua a crescer.

 

A chegada dos fundos de crypto

Outro indicador de interesse institucional refere-se aos ativos sob gestão em fundos de criptomoedas. No momento em que este artigo foi escrito, mais de US$ 56 bilhões estavam sob custódia em fundos de ativos digitais em todo o mundo. A maior parte é gerenciada pela Grayscale Bitcoin Trust.

Especificamente no Brasil, segundo a empresa de dados de mercado Economatica, existem mais de R$ 2,3 bilhões em fundos administrados por empresas brasileiras, como Hashdex, BLP, QR Capital, BTG Pactual, Vitreo e outros.

 

ETFs de Bitcoin

Os Estados Unidos ainda não aprovaram um ETF de Bitcoin, mas há uma pressão crescente sobre a Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC) para fazê-lo. No momento, há pelo menos sete empresas disputando essa aprovação, incluindo a Grayscale, que busca converter seu trust em um ETF.

No Brasil já foram aprovados dois ETFs de criptomoedas, dentre eles o HASH11. O ETF da gestora Hashdex replica a cesta de criptomoedas do Nasdaq Crypto Index (NCI) e teve sua estreia na B3  nesta semana. O próximo a ser listado será o QBTC11 da QR Capital. Ainda sem data de lançamento, o ETF trará a seus investidores exposição ao preço do bitcoin nas principais exchanges do mundo.

O Canadá já possui três ETFs de bitcoin negociando ativamente na Bolsa de Valores de Toronto. A euforia que o produto da Purpose Investments, listado na bolsa de Toronto, gerou desde sua estreia (atingindo mais de US$ 1 bilhão em AUM) assim como as reações aos ETFs Brasileiros, aumentam ainda mais a expectativa em torno do que irá acontecer quando ofertas semelhantes chegarem ao mercado Norte-Americano.

 

Conclusão

Parece haver um enorme apetite institucional e corporativo fluindo para o mercado de criptomoedas e ativos digitais. Além do que foi dito acima, um número crescente de bancos proeminentes e empresas tradicionais estão revelando planos para fazer parte do mercado.

Instituições financeiras, como Morgan Stanley, JPMorgan, Goldman Sachs, BNY Mellon e outras, declararam publicamente que pretendem oferecer aos clientes acesso a fundos de Bitcoin. Empresas como PayPal e Mastercard também aderiram à festa e estão criando formas de oferecer serviços de criptomoedas a seus clientes.

Nas partes dois, três e quatro de nossa série, vamos nos aprofundar em algumas das dinâmicas que estimularam essa mudança radical de mentalidade e foram os principais impulsionadores da adoção institucional do Bitcoin e dos ativos digitais que continuamos a ver.


Parte 2: Bitcoin como um ativo diversificador de risco e não correlacionado (em breve)

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